
Um achado interessante no blog Anecdote: o post More proof that emotion is a powerful force in making sense of information.
O autor do artigo (Shawn) menciona um estudo do neurocientista Drew Westen que descobriu (analisando as reações de políticos Democratas e Republicanos diante de afirmações contraditórias do próprio partido e do partido oposto) que as pessoas conseguem rapidamente ignorar suas próprias contradições através de raciocínios falhos criados por si próprios.
Ou seja: qualquer pessoa consegue justificar a si mesmo a crença em qualquer fato que deseje.
Mas qual é o significado disso?
Isso significa que você somente conseguirá promover mudanças reais nos modelos mentais (típicas em esforços para mudança de cultura) se conseguir fazer as pessoas acreditarem no que você está propondo - o que sugere uma grande importância dos líderes na mudança dos comportamentos individuais e, em decorrência, do comportamento das equipes.
Este assunto traz de volta o tema “gestão de fatores de influência como ferramenta” que abordei no post Extensão dos motivos para se compartilhar conhecimento.
A revista Época, da editora Globo, mantém entre outros blogs um deles a respeito de variedades – bom conteúdo para atenuar a aspereza do dia-a-dia – chamado Bombounaweb.
Em sua grande maioria tratam-se de vídeos selecionados no YouTube contendo cenas engraçadas ou polêmicas que se tornaram fenômenos de visitação por motivos diversos.
Na edição de 19 de outubro de 2009 (publicada hoje) os jornalistas responsáveis pelo blog indicaram um vídeo pertencente ao site “The Fun Theory“, mantido pela Volkswagen alemã.
Nas palavras do próprio site:
This site is dedicated to the thought that something as simple as fun is the easiest way to change people’s behaviour for the better. Be it for yourself, for the environment, or something entirely different, just so long as it’s change for the better.
De forma muito breve, a iniciativa sugere que é possível fazer as pessoas mudarem seu comportamento bastando para isso tornar sua participação (no que quer que seja) mais divertida.
Que tal pensar nisso como uma forma de tornar o ambiente mais propício ao compartilhamento?
Recomendo ver os vídeos do site como fonte de inspiração.
O informativo Universo EAD, da unidade de ensino à distância do Senac São Paulo, publicou neste mês uma entrevista em
áudio com minha amiga Rose Longo sobre a oportunidade da aplicação da Gestão do Conhecimento neste momento de crise global.
Destaco duas afirmações de Rose:
- a organização deve usar o conhecimento como fonte de diferencial competitivo e para isso deve ser capaz de provocar a criação de conhecimento (desenvolvendo para tanto um ambiente e uma cultura adequados)
- se o momento de crise não for utilizado para atividades de capacitação, quando a crise terminar faltarão competências (e isso vale tanto para as empresas quanto para os profissionais)
Vale a pena conferir a entrevista na íntegra em http://www.ead.sp.senac.br/newsletter/abril09/ead.asp?nome=podcast. 
Encontrei por meio de um dos feeds que acompanho diariamente um artigo de Gabriel Renault Magalhães, da Calandra, chamado “A Gestão de Conhecimento Pragmática Aplicada às empresas – Parte 2“. Navegando um pouco pela internet encontrei uma outra versão do mesmo artigo no site Intranet Portal.
Uma “GC pragmática” parece uma promessa interessante: GC direto ao ponto, sem enrolação, com resultados objetivos.
Nas palavras de Gabriel:
A Gestão do Conhecimento Pragmática é uma proposta de abordagem que objetiva potencializar ao máximo a efetividade das iniciativas de KM.
Ao invés de propor um projeto top-down, abrangendo as mais diversas áreas da empresa, ela procura identificar condições favoráveis dentro do ambiente corporativo para a criação de projetos pilotos, e, em seguida, busca replicar estas iniciativas para as demais áreas.
As principais características desta abordagem são:
• Ação localizada em um ambiente que seja culturalmente mais propício;
• Naturalidade das iniciativas;
• Reprodução do exemplo
Essa proposta me lembra a abordagem que eu procurava enquanto cursava o a pós-graduação em gestão do conhecimento do Senac de São Paulo. (Ótimo curso, aliás.) Na ocasião eu ainda não conhecia a Promon, que excepcionalmente é um ambiente propício para a prática da GC em grande amplitude.
Essa proposta de GC pragmática continua sendo interessante para as situações em que a GC deve ser implementada por meio de diversas iniciativas pontuais e consecutivas.
Algo para se detalhar mais no futuro.
Sempre que sou levado a comentar o assunto “por que compartilhar conhecimento” costumo sugerir a avaliação da proposta de Davenport e Prusak: nos mercados do conhecimento, as moedas de troca são a reciprocidade, o reconhecimento e o altruísmo. É um critério simples e suficientemente abrangente, a meu ver, para explicar por que um indivíduo “abre mão” da exclusividade de seu conhecimento em uma relação de troca.
Já escrevi no passado algo com uma abordagem um pouco mais estratégica, na página ”Cultura favorável ao compartilhamento” de meu rascunho de proposta de metodologia, sugerindo que conhecimentos isolados estão fadados à obsolescência:
Podemos dizer o mesmo da seguinte forma: qualquer seja sua profissão, e qualquer seja a idéia fantástica e inovadora que você possui em mente, haverá sempre um grande número de outros profissionais com a mesma especialização discutindo os mesmos assuntos com outro grande número de outros profissionais similares ou com outras (e enriquecedoras) especializações e experiências complementares. Assim, as chances de sobrevivência e evolução de suas crenças e conceitos são muito maiores no desenvolvimento coletivo.
Nesta semana li um post de Letícia Rodrigues chamado “Os 6 Princípios da Influência”, que apresenta a abordagem de Robert Cialdini para os fatores que explicam o exercício de influência de um indivíduo sobre outro.
Ocorreu-me que a abordagem de Davenport e Prusak pode ser interessante em contextos em que os membros da comunidade manifestam desejo proativo de interagir (de “negociar no mercado”), enquanto o gerenciamento dos fatores de influência (abordados por Cialdini) podem ser uma forma de estimular as trocas quando a participação no mercado não é proativa – permitindo obtê-la por meio da influência.
(Soa um pouco maquiavélico, mas acho que o assunto merece ponderação.)