MAKE, da The Know Network – um quase simpático modelo para a gestão do conhecimento

Logo TKNJá há algum tempo tenho estado intrigado com a possibilidade da adoção de um modelo de mercado que represente melhores práticas em Gestão do Conhecimento.

Eu sei, é claro, que cada caso é um caso, que cada organização tem suas características e que assim qualquer implementação pode ser um pouco ou muito diferente de outras. Mas já não é assim também no caso das normas ISO, do PMBOK, do COBIT, do ITIL e de tanto outros exemplos? Da mesma forma, adotar um modelo em GC significa apenas concordar com um linguajar comum e seguir suas diretrizes respeitando as características estratégicas, táticas e operacionais da organização. Não dispensa a organização de analisar seus objetivos estratégicos, selecionar processos-alvo para a ação e definir ferramentas específicas para os problemas/oportunidades delineados nesse estudo.

Aderir a um modelo padrão de mercado é um esforço (e este é o melhor termo, pois enquadrar práticas existentes em um framework desenvolvido por outrem envolve no mínimo dedicação) que oferece benefícios:

  • o desenvolvimento acelerado pela utilização conjunta com outras organizações
  • a projeção imediata de uma imagem ao mercado (caso o modelo escolhido tenha esse reconhecimento)
  • a possibilidade de realização de comparativos entre empresas

Fernando Goldman publicou em seu blog já se passou algum tempo um levantamento de modelos de GC publicados mundo afora.

Dentre tantas opções, deveria ser difícil escolher um modelo de referência. (Mas a minha conclusão, ao final do texto, é a de que é difícil escolher por falta de opção.)

Eu diria que os requisitos para tal escolha poderiam ser, além dos mesmos itens apontados acima:

  • ser compatível com a visão de GC da organização
  • ter representação no Brasil, para que se possa contar com suporte adequado
  • ser um padrão público, abertamente divulgado ainda que licenciado para sua utilização, para que a organização não se sinta refém de uma instituição

Recentemente comparei (ainda sem muita profundidade) os modelos MAKE (da The Know Networks), OKA (do Banco Mundial) e KMAT (da APQC), e confesso que simpatizei com o primeiro. As principais funções estão todas lá, em suas caixinhas, o seu posicionamento é adequado e a conexão entre elas é coerente.

Reunindo informações coletadas no evento GMC 2007 (Global Make Conference) com aquelas disponibilizadas no site da CENADEM sobre o curso de certificação nessa metodologia, podemos chegar ao modelo a que me refiro:

Primeiro Critério – Cultura – Saiba como a cultura favorece a Gestão do Conhecimento
Promover visão e estratégia baseada no conhecimento.
Promover missão baseada no conhecimento.
Definir as competências essenciais.
Promover ações para fortalecer relacionamentos entre unidades.
Desenvolver e administrar valores do conhecimento.
Desenvolver e administrar comportamentos relacionados ao conhecimento (prêmios, verdade).
Desenvolver processos e sistemas baseados no conhecimento.
Criar e administrar estratégia de RH baseada no conhecimento.
Identificar necessidades de trabalhadores do conhecimento.
Envolver trabalhadores do conhecimento.
Controlar a distribuição dos trabalhadores do conhecimento (recrutamento, planos de sucessão).
Mensurar a performance com base no conhecimento/indicadores.
Comunicar as Políticas e metas com base no conhecimento.

Segundo Critério – Liderança com o papel de encorajar e suportar estratégia de Gestão do Conhecimento
Incentivar os processos de Gestão do Conhecimento (aquisição, compartilhamento e aplicação).
Prover suporte financeiro e não financeiro para a Gestão do Conhecimento.
Constituir grupos e conselhos para assegurar emprego de estratégia do conhecimento.
Prover responsável por Gestão do Conhecimento.
Capacitar sistemática de líderes de Gestão do Conhecimento.
Encorajar e suportar estratégia de Gestão do Conhecimento.
Reconhecer e recompensar os líderes do Conhecimento.
Avaliar o desempenho dos líderes de Gestão do Conhecimento.
Articular com alto escalão da empresa.

Terceiro Critério – Como mensurar o valor agregado pela inovação e criação de conhecimento.
Desenvolver e empregar estratégia de inovação e criação de conhecimento empresarial.
Desenvolver e treinar força de trabalho em inovação e geração de idéias.
Criar e gerenciar programas de geração de idéias.
Envolver clientes e fornecedores no desenvolvimento de produtos e serviços baseados em conhecimento.
Gerenciar criação de conhecimento.
Aumentar/Expandir conhecimento da empresa através de pesquisa e desenvolvimento.
Desenvolver equipes transversais de inovação/desenvolvimento.
Gerenciar transferência de conhecimento e idéias para “pontos de ação”.
Reconhecer/recompensar inovadores.
Desenvolver produtos e serviços baseados em conhecimento.
Gerenciar a produção e/ou serviço de produtos e serviços baseados em conhecimento.
Mensurar valor agregado pela inovação e criação de conhecimento.
Comunicar/informar agregação de valor pela inovação.

Quarto Critério – Capital intelectual – Diagnóstico e Mapeamento
Desenvolver e empregar estratégia de capital intelectual empresarial.
Desenvolver e treinar força de trabalho em conceitos e ferramentas de capital intelectual.
Desenvolver ferramentas e técnicas para gerenciar e mensurar capital intelectual.
Visualizar capital intelectual.
Mapear capital intelectual.
Gerenciar e expandir capital intelectual (empresarial, humano e do cliente).
Proteger recursos do conhecimento.
Reconhecer/recompensar funcionários por aumentar o capital intelectual da empresa.
Preparar orçamentos baseados em capital intelectual, assim como os requerimentos de capital financeiro.
Usar tecnologia da informação para gerenciar e mensurar capital intelectual.
Comunicar/informar capital intelectual.

Quinto Critério – Compartilhamento do conhecimento adicionando valor à organização
Desenvolver e empregar estratégia de compartilhamento do conhecimento.
Desenvolver e treinar força de trabalho em conceitos e ferramentas do compartilhamento do conhecimento.
Desenvolver ferramentas e técnicas para compartilhamento do conhecimento (por exemplo: internet, intranets e grupos colaborativos).
Gerenciar e aperfeiçoar cadeia de valor do conhecimento (conhecimento disponível, conhecimento necessário e abertura do conhecimento).
Gerenciar e promover compartilhamento do conhecimento.
Desenvolver conceitos e habilidades (tácitas e explícitas) do compartilhamento do conhecimento.
Desenvolver e gerenciar o compartilhamento do conhecimento (aquisição, avaliação, estrutura, transferência e uso do conhecimento).
Usar ferramentas colaborativas para o compartilhamento do conhecimento.
Oferecer suporte à comunidade de prática.
Desenvolver e manter intranets corporativas para o compartilhamento do conhecimento.
Desenvolver e gerenciar bancos de dados de conhecimento.
Transferir melhores práticas obtidas pelo compartilhamento do conhecimento.
Reconhecer/recompensar funcionários pelo compartilhamento do conhecimento.
Comunicar/informar valor agregado à empresa pelo compartilhamento do conhecimento.

Sexto Critério – Aprendizagem – Programa de avaliação e gestão da aprendizagem organizacional
Desenvolver e empregar uma estratégia de aprendizado empresarial.
Desenvolver um programa de desenvolvimento e aprendizado empresarial baseado no conhecimento.
Eleger um chefe oficial para guiar a estratégia de aprendizado empresarial.
Criar oportunidades de aprendizado.
Desenvolver e gerenciar a universidade corporativa.
Desenvolver colaborações/parcerias para acelerar o aprendizado empresarial.
Desenvolver e/ou adquirir metodologias de aprendizado, técnicas e ferramentas.
Usar a internet/intranet para aprendizado e treinamento.
Desenvolver e treinar colaboradores.
Capturar e explorar o aprendizado organizacional.
Desenvolver e gerenciar o banco de dados de conhecimentos sobre as habilidades e competências dos funcionários.
Reconhecer/recompensar colaboradores pelo aprendizado.
Mensurar agregação de valor pelo aprendizado empresarial.
Comunicar/informar o valor agregado à empresa com o seu aprendizado.

Sétimo Critério – Retorno com base nos clientes – Gestão do Conhecimento do cliente trazendo benefícios para a Empresa
Desenvolver e empregar uma estratégia de gerenciamento do valor do cliente baseado no conhecimento empresarial.
Criar e gerenciar programas de gerenciamento do valor do cliente baseado no conhecimento empresarial.
Monitorar mudanças no mercado ou exceções dos clientes.
Criar e gerenciar os perfis de valor dos clientes.
Criar e gerenciar mapas de valor dos clientes.
Envolver clientes no desenvolvimento de produtos e serviços de conhecimento.
Criar uma cadeia de valor dos clientes.
Desenvolver e/ou adquirir ferramentas e técnicas para coletar e obter valor a partir do conhecimento do cliente.
Desenvolver e/ou empregar tecnologias de informação para coletar e obter valor a partir do conhecimento do cliente.
Desenvolver e gerenciar as bases do conhecimento do cliente.
Desenvolver ferramentas e técnicas para extrair valor das bases de conhecimento do cliente (por exemplo: armazenamento de informações, fontes de informações, etc).
Desenvolver novos produtos e serviços baseados no conhecimento do cliente.
Mensurar mudanças na cadeia de valor dos clientes.
Comunicar/informar mudanças na cadeia de valor dos clientes.

Oitavo Critério – Oferecendo retorno aos acionistas
Desenvolver e empregar uma estratégia empresarial baseada em conhecimento para aumentar a geração de valor.
Desenvolver e empregar programas empresariais baseados em conhecimento para aumentar geração de valor.
Mapear e mensurar a cadeia de valor do conhecimento.
Desenvolver e gerenciar a criação de valor baseada em conhecimento.
Alocar e gerenciar recursos financeiros e não financeiros para aumentar a cadeia de valor do conhecimento.
Usar ferramentas e técnicas de análise de valor para mensurar o valor baseado em conhecimento.
Desenvolver tecnologias de informação para transferir conhecimento empresarial através da cadeia de valor (planejamento de recursos da empresa).
Mensurar a mudança no valor empresarial.
Comunicar/informar a criação de valor baseada em conhecimento.

Porém o que me incomoda no momento é que esse simpático modelo não é aberto. Na verdade, é até mesmo difícil conseguir informações sobre o mesmo.

Aliás: caso alguém acredite que estou violando alguma propriedade intelectual ao transcrever essas informações, peço-lhes que me avisem e retirarei qualquer menção a essa metodologia de imediato.

E caso o modelo MAKE continue sendo fechado, a qual outro modelo poderei me apegar? Sinto que a nenhum – pois nenhum dos demais parece se candidatar a modelo aberto no Brasil.

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