O Twitter me faz lembrar do Second Life

Digo que o Twitter me faz lembrar do Second Life porque há dois anos o Second Life contava com o mesmo prestígio desfrutado nas últimas semanas pelo Twitter.

Reportagens especiais nas revistas Veja e na Época, nos principais jornais do país e nos noticiários da Rede Globo. A promessa de uma revolução ainda não compreendida. Relatos de casos de empresas que se antecipavam no mundo virtual na tentativa de compreendê-lo e capturar sua fatia dessa nova oportunidade.

Na ocasião, escrevi em um dos blogs internos da Promon após um evento interno sobre o Second Life a seguinte avaliação (não necessariamente popular):

Minhas conclusões até o momento.

Conclusão 1: É interessante para as empresas estar lá porque há pessoas lá, independentemente de seus motivos

Onde há pessoas, há um mercado potencial; há pessoas no Second Life, então pode haver um mercado lá. Simples assim.

Nada, é claro, pode garantir que essas pessoas continuarão lá, a não ser que alguém entenda verdadeiramente seus motivos para estimulá-las a continuar lá.

Caso ninguém consiga ou deseje entender essas motivações, basta continuar anunciando enquanto houver público. E depois… fim de tudo. Vamos anunciar em outro lugar.

(…)

Conclusão 2: Second Life é um game

É um game MMORPG (Massive Multiplayer On-line Role Playing Game) sem missão. MMORPGs são jogos coletivos na internet, muito famosos nas LAN Houses, em que múltiplos usuários efetuam login em um mesmo servidor para que seus personagens interajam no mesmo cenário (na mesma aventura). Exemplos comuns são Ragnarok, World of Warcraft, Battlefield sei-lá-o-que e Counter-Strike (já um vovô na categoria). Ah, o detalhe sobre o “sem missão” é importante: nos jogos MMORPG sempre há missões a cumprir, como parte da diversão: resgatar reféns, conquistar territórios, atacar inimigos, derrubar esquadrilhas, etc. O Second Life, por outro lado, não tem missão. O que dificulta entender por que as pessoas estão lá.

O fato de ser um game (o que significa que é uma forma de diversão) explica muita coisa: dispensa a busca por motivações racionais para as pessoas estarem lá. É diversão. É legal. Ponto.

Anunciar lá é como anunciar nas telas de um jogo de videogame – uma prática já muito comum e uma indústria tida como muito promissora.

Conclusão 3: Second Life tem a utilidade potencial de mostrar antecipadamente o que verão pessoalmente no futuro

Isto me ajuda a explicar o motivo pelo qual num mundo virtual é preciso haver pessoinhas, prediozinhos, e imitaçõezinhas de coisas do mundo real.

Exemplos seriam: conhecer um apartamento antes da construção, visitar um museu em outro país, rodar por uma estrada em outro país, experimentar um produto de consumo que ainda não existe de verdade, etc.

Conclusão 4: A imitação do mundo real limita o desenvolvimento de uma nova percepção

Ver objetos virtuais idênticos aos objetos reais é confortável aos nossos olhos e ao nosso cérebro, mas não provoca as pessoas para que saiam de suas zonas de conforto.

O mundo virtual já existe – o e-mail é sua caixa de correio, seu website é seu endereço e sua vitrine na internet, o portal de notícias é seu jornal, seu grupo de discussão é seu ponto de encontro, o Submarino é seu shopping center, etc.

Não é preciso ser um bonequinho entrando num prédio desenhado em 3D para ser um cidadão ativo no mundo digital.

Acredito que a tecnologia promoverá um progresso maior na sociedade quando pudermos todos abandonar o uso da representação física dos objetos.

A diferença entre o frenesi em torno do Second Life e do Twitter é que me parece que este último é mais amplamente aplicável no ambiente corporativo. Lembrando: o foco de minhas análises, como sempre, é aplicabilidade à gestão do conhecimento.

Os microblogs (categoria de software de que o Twitter faz parte) conseguiram algo que os blogs não conseguiram: ser onipresentes. Por meio de seus textos curtos, tornaram-se compatíveis com dispositivos móveis – palmtops e celulares. O (micro)blog, agora, está onde quer que o seu usuário esteja – para escrever e para ler.

Eu definiria o Twitter no momento como “um mecanismo de acionamento imediato de redes de relacionamento”. Mesmo simples assim, soa como uma definição muito mais promissora que a definição dos mundos virtuais.

Imaginem o seguinte exemplo: digamos que eu tenha um perfil popular no Twitter. Com um foco específico: meus estudos sobre a gestão do conhecimento e temas correlatos. E digamos que eu conte com uma boa quantidade de seguidores igualmente dedicados e estudiosos dos mesmos temas.

Numa certa manhã posso publicar de meu celular no táxi algo como o seguinte post dentro dos 140 caracteres que o Twitter me permite: “Dentro de uma hora entrarei naquela reunião sobre o uso do Twitter no ambiente corporativo. Meus amigos têm alguma sugestão sobre as três melhores aplicações?” Em alguns minutos eu poderia então contar com uma compilação de bons motivos – talvez não os melhores, mas uma lista rápida sugerida por contatos de confiança. Muito mais eficaz – no tempo que teria disponível – que um punhado de telefonemas ou a postagem em um blog comum que ninguém leria em tempo.

Não soa promissor? Vamos tentar colocar isso em prática.

(Há, é claro, outros tantos usos possíveis para os microblogs fora do campo da GC – como a divulgação de ofertas, informações institucionais ou abertura de um novo canal de comunicação com o mercado. Assim como no caso dos blogs, a ferramenta é genérica o suficiente para permitir inúmeros usos.)

5 pensamentos sobre “O Twitter me faz lembrar do Second Life

  1. Marcelo

    Acho que o Twitter, diferente do Second Life, tem aplicações práticas imediatas para pessoas e empresas. É sensível o oba-oba dos veículos de comunicação, seja por falta de assunto ou por uma asse$$oria de impren$a muito bem feita. Mas ainda assim creio que nem tudo é desprezível.

    Pessoalmente utilizo o Twitter como meio de engajamento entre amigos e pessoas que creio trazerem opiniões relevantes. Pessoalmente fujo daqueles que apenas repassam links sobre determinados assuntos e prefiro os mais apimentados que expressam opiniões, se arriscam, e arejam nossos pontos de vista. Além disso já resolvi dois problemas com a Locaweb em tempo record. Após abrir o chamado comentei no Twitter meu problema e em poucos minutos o ombudsman da Locaweb entrou em contato comigo. Foi uma experiência legal.

    Como empresa também utilizo e acredito em sua aplicação. De modo geral as empresas de beneficiam do Twitter não falando, mas ouvindo. Exercício difícil para quem vêm com a mentalidade de propaganda para as massas. O Twitter permite um monitoramento em tempo real do que se diz do seu mercado, empresa ou produto. E o interessante é que, de modo geral, as pessoas falam como se estivessem em uma conversa privada. Assim, para quem monitora isso, seria como ter um grampo no messenger de muita gente, pois as opiniões costumam ser espontâneas. E eu uso comercialmente também como ferramenta de recrutamento e para localização de parceiros. Ainda ontem procurava um especialista em gestão de conflitos. Enquanto procurava este profissional, fiz este comentário no Twitter e em menos de um minuto uma especialista me procurou. Pronto! Reunião marcada para a próxima semana e o assunto encaminhado em velocidade recorde. Um terceiro uso comercial que faço dele é para emissão de comunicados de vagas e treinamentos. Funciona como um mailing de retorno rápido. Esse uso ainda é inexpressivo e ainda não estou certa se irá se consolidar.

    Então minha experiência com o Twitter proporcionou resultados práticos imediatos, mais que qualquer outra ferramenta social da web até hoje. Bem, acho que perde apenas para o Linkedin.

    Abraços

    Raquel Marques

  2. Yamada,

    Nada melhor como usar seu excelente post sobre o Twitter para lhe dizer que o adicionei por lá também (@rsouzaramos).

    Estou linkando seu blog na minha página principal também. Isso acaba melhorando um pouco nosso page rank!🙂

    Por último, achei muito interessante seu post com a comparação entre o Twitter e o Second Life. Vou incluir um post sobre este assunto em instantes.

    Um grande abraço!

  3. Pingback: Ponderações sobre o Twitter « myGC :: Gestão do Conhecimento

  4. Pingback: Gestão etc… » Twitter: use com moderação!

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