Ponderações sobre o Twitter

Seguindo uma sugestão de minha colega Raquel Marques (@raquelmarques) estou repetindo aqui uma sugestão que tweetei mais cedo, hoje.

Estou fazendo melhor que isso, aliás: estou compilando aqui três opiniões que postei a respeito do Twitter neste blog e no meu Twitter:

1) O Twitter me faz lembrar do Second Life

2) Twitter = era da memória descartável? http://hsm.updateordie.com/comunicacao/2010/02/ha-retorno-do-tempo-que-voce-investe-no-twitter/

3) Para que o Twitter funcione como uma rede neural, percebo que é preciso haver um acordo prévio entre os neurônios. Ou será um monólogo.

A minha principal afirmação na primeira manifestação acima foi (e continua sendo) a seguinte:

Eu definiria o Twitter no momento como “um mecanismo de acionamento imediato de redes de relacionamento”. Mesmo simples assim, soa como uma definição muito mais promissora que a definição dos mundos virtuais.

Imaginem o seguinte exemplo: digamos que eu tenha um perfil popular no Twitter. Com um foco específico: meus estudos sobre a gestão do conhecimento e temas correlatos. E digamos que eu conte com uma boa quantidade de seguidores igualmente dedicados e estudiosos dos mesmos temas.

Numa certa manhã posso publicar de meu celular no táxi algo como o seguinte post dentro dos 140 caracteres que o Twitter me permite: “Dentro de uma hora entrarei naquela reunião sobre o uso do Twitter no ambiente corporativo. Meus amigos têm alguma sugestão sobre as três melhores aplicações?” Em alguns minutos eu poderia então contar com uma compilação de bons motivos – talvez não os melhores, mas uma lista rápida sugerida por contatos de confiança. Muito mais eficaz – no tempo que teria disponível – que um punhado de telefonemas ou a postagem em um blog comum que ninguém leria em tempo.

Continua fazendo sentido para mim, mas a segunda afirmação da lista, somada à Regra do 1% (ou sua evolução Social Technographics, da Forrester), me leva à terceira.

Em resumo: continuo acreditando que o Twitter pode ser uma boa ferramenta de acionamento de sua rede de contatos para respostas rápidas a questões pontuais; porém como estatisticamente qualquer população possui um percentual pequeno de participantes ativos e as mensagens são efêmeras, rapidamente saindo do alcance dos olhos de seus seguidores, é importante para a obtenção das respostas às perguntas que você faça um acordo prévio (e provavelmente mútuo) com seus seguidores-chave. Assim, provavelmente vocês conseguirão juntos compor um tipo de… cérebro. Com neurônios muito mais complexos, naturalmente.

(Há algo de muito rústico nessa argumentação toda ainda, mas conto com a compreensão dos amigos para este raciocínio ainda em evolução.)

4 pensamentos sobre “Ponderações sobre o Twitter

  1. Marcelo

    Pedi que a discussão viesse para cá pois em 140 caracteres eu realmente não conseguiria trocar figurinhas contigo.

    É preciso segregar duas coisas: a discussão da utilidade do Twitter e a discussão da aplicabilidade do Twitter na gestão do conhecimento.

    Na gestão do conhecimento acredito que o retorno é marginal. De vez em quando coloco uma dúvida técnica no meu Twitter (como faço para limitar a banda de acesso à internet para uma determinada máquina) e recebo retorno. Mas na maioria da vezes este post se perde na timeline rapidamente.

    Mas relendo o meu comentário de agosto de 2009, minha experiência oito meses depois só corrobora o que escrevi daquela vez.

    O twitter não é repositório de conhecimento, ou um conector de neurônios, mas uma mídia social. Uma mídia (meio) para contato social (contato entre pessoa). Aproxima conhecidos, viabiliza o contato entre desconhecidos.

    Tudo o que vemos na timeline é o topo do iceberg. Como você sabe, num iceberg 2/3 do gelo está submerso nas águas. Muita coisa acontece abaixo do nível do mar, nas DMs. Além disso existe o monitoramento das palavras-chave e os infinitos insights que o caráter anárquico do twitter proporcionam.

    Assim, o uso do twitter para reversão em business é grande.

    Mas, Raquel, você pode me questionar, as pessoas só falam de vida pessoal!

    Pois é, e esta é a graça da coisa. Misturado a algumas informações profissionais, muito conteúdo pessoal aparece. E que bom! Estamos todos cansados de nos relacionar com máquinas, comprar de rostos sem história, contratar REs com habilidades não colegas de trabalhos interessantes e produtivos. Está tudo muito estéril, tudo muito asséptico. E no Twitter temos o gancho para voltarmos a nos conectar, ou estabelecermos um primeiro contato, com pessoas que antes só conhecíamos através de um cartão de visita.

    Através do Twitter converso com concorrentes! Em que outro contexto eu teria esta oportunidade? Talvez em eventos, talvez… Mas todos tão preocupados em se relacionar com seus atuais e potenciais clientes que não perderiam tempo em falar com concorrentes. Mas uma vez o dono de uma outra consultoria comentou que estava com problemas com seu corretor de seguros. Prontamente apresentei meu corretor a ele e seu problema foi resolvido. Criamos uma amizade? Não. Mas estabelecemos um contato para conversarmos sempre que tivermos pauta um com o outro. A porta agora está aberta.

    Através do Twitter monitoro pessoas com interesses semelhantes. Pessoais ou profissionais. E o importante é deixar as coiss transbordarem de um lado para outro. Temperar seus contatos profissionais com uma certa relação pessoal. Encontrar oportunidades profissionais através de contatos pessoais.

    Através do Twitter me conecto com pessoas que estão muito a frente de mim, profissionalmente falando, e também estabeleço contato. Uma vez um badalado empreendedor fez um pequeno discurso sobre sua visão social e o abandono dos jovens. Logo entrei na conversa e comentei sobre uma ONG para jovens que apóio através de meu clube de Rotary. Encontramos um interesse comum, marcamos um almoço e tivemos oportunidade de conversar sobre trabalho e sobre a ONG, onde ele nos ajudou fazendo algumas palestras sobre sua história para nossos jovens.

    Bom, vejo muitas aplicações práticas para o twitter. Mas sempre exije relação. Troca. Presença. Unilateralismo não tem vez nesta mídia. Ou você está e constrói com as pessoas de seu relacionamento (amigos e seguidores) ou qualquer esforço será em vão. É um novo jeito de pensar, se relacionar e se comportar. Vamos aprendendo a cada passo que damos. E vamos voltar neste assunto daqui a seis meses para ver o quanto isso evoluiu.

    Raquel
    (estou cheia de expectativa com o foursquare, viu?)

  2. Obrigado, Raquel, pelas argumentações.

    De imediato fico com a impressão de que o Twitter é tão útil quanto uma mesa de bar, uma praça, um telefone celular, uma sala de café. Um lugar onde você sabe que vai encontrar certas pessoas. Um lugar em que você viabiliza ou proporciona um diálogo.

    Você tem razão quanto ao relacionamento entre pessoas. Esse relacionamento é essencial para a transferência de conhecimento e para a produção de novo conhecimento.

    A questão passa a ser então “quais recursos podem estimular a transferência e produção de conhecimento através do relacionamento entre indivíduos?” e uma das respostas, então, poderá ser “ponha-os em contato via Twitter”.

    Vou continuar pensando a respeito.

    Obrigado.

    MY

  3. Marcelo e Raquel,

    A discussão é boa. Será que não falta taxonomia ao Twitter? O poder que o Twitter tem de iniciar e difundir pequenos assuntos e disparar mensagens a contatos é incomparável. Mas será que ele não pode ser usado como um repositório de conhecimentos breves, de frases, ou algo do gênero?

    Hoje, os tweets são jogados em um “saco” de informações que são facilmente perdidas com o tempo. Não haveria uma forma de classificá-las, organizá-las e, consequentemente, reaproveitá-las?

    A discussão está aberta. Se quiserem colaborar, aguardo vocês: http://www.conhecimentoeti.com/2010/03/twitter-conhecimento-descartado-ou.html

  4. Concordo com a opinião da Raquel, vejo hoje Twitter mais como uma mídia social do que uma possível rede neural… isso passa muito pela usabilidade e viabilidade dessa troca de informação que hoje não existe !! manter bons contatos e contatos assíduos seria a grande sacada para essa transformação de mídia social em uma rede neural!

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