Da Gestão Pessoal do Conhecimento para a Gestão Social do Conhecimento

Personal Knowledge Management (PKM) não é um tema muito constante na gestão do conhecimento.

Li o post O que é Personal Knowledge Management de Luciana Annunziata no blog Idéias para Inovar e encontrei ali uma abordagem interessante.

O trecho que me chamou a atenção foi o seguinte:

(…) Aqui temos um ponto muito interessante, porque a gestão pessoal do conhecimento não diz respeito somente ao modo como uma pessoa absorve conhecimento, mas também à sua capacidade de produzir e compartilhar. Na gestão pessoal do conhecimento, não pensamos apenas em nós mesmos, mas em nossa rede e em como podemos alimentá-la. Qual o conhecimento que somente eu poderia gerar e compartilhar com a minha rede?

Dessa forma, a gestão pessoal do conhecimento seria a base para a gestão social do conhecimento, facilitada e estruturalmente catalisada pelas ferramentas tecnológicas que hoje ativam nossas redes sociais.  (…)

Essa abordagem me pareceu interessante porque conecta dois temas que tenho estudado separadamente: a gestão do conhecimento pessoal e a aplicabilidade das redes sociais.

Cultivar as relações sociais já me parecia comercialmente justificável por tornar o conhecimento dos membros da rede prontos para acionamento quando necessário, mas o conceito de gestão social do conhecimento sugere que o método de PKM que rascunhei há algum tempo poderia ser aperfeiçoado para prever a contribuição para as redes.

Por enquanto é apenas uma idéia. A utilidade desta conceituação para a gestão de redes sociais é de concepção um pouco mais difícil.

7 pensamentos sobre “Da Gestão Pessoal do Conhecimento para a Gestão Social do Conhecimento

  1. Discussão interessante, Marcelo! Isso me lembra uma reflexão que fiz há algum tempo sobre competências individuais em gestão do conhecimento – algo próximo de PKM.

    Arrisco dizer que a frase ‘gestão social do conhecimento’ aponta para algo mais profundo do que a mera troca de conhecimento. A rede social é para alguém mais do que simples fonte de conhecimento; mesmo a idéia de que se contribui com conhecimento para a rede não é suficiente. O grande salto se dá quando, além de trocar conhecimento na rede, os membros começam a construir conhecimento juntos, coletivamente. Conhecimento socialmente emergente.

    O PKM, nesse caso, teria um componente de saber se inserir nessa rede e participar de forma construtiva. Tem a ver com capital de relacionamento, mas acho que esse termo não capta a profundidade da coisa. Os conceitos que o Etienne Wenger discute em “Comunidades de Prática” me parecem mais apropriados: construção social de sentido, identidade coletiva, interesses e repertórios compartilhados, participação na comunidade e construção de relações como origem do aprendizado, etc.

    Tem coisa importante aí, vale a pena aprofundar.

    • Upa! Comentários avançados neste post.

      André,

      Sua menção a Wenger é bastante interessante. Wenger menciona como uma das características da comunidade de prática o seu caráter temporário – uma vez atingidos os objetivos da comunidade, a mesma deixaria de existir. É claro que este prazo pode ser muito curto ou muito longo – dependendo da complexidade da tarefa e das competências dos membros da comunidade. Além, é claro, das características básicas das CoPs – domínio, comunidade e prática.

      Mas a coexistência do conceito de CoPs com o fenômeno das redes sociais traz realmente uma possibilidade interessante: poderiam as redes sociais que surgiram (espontaneamente ou não) com fins diversos formar CoPs temporárias, mobilizando comunidades inteiras ou partes delas para a construção de novas práticas? Ou, melhor ainda (!): será que isso já não está acontecendo, justificando a existência de boa parte das redes duradouras?

      Tchan, tchan, tchaaan – isso mereceria uma pesquisa de campo…

      Será que a gente consegue desenvolver o tema, fazer a pesquisa e escrever um artigo?

      Abraço!

      MY

      • Quando citei Wenger, pensei mais no conceito de aprendizagem como processo social do que em CoPs, conceito mais comumente associado a ele. Ele discute isso muitíssimo bem em seu livro Communities of Practice, de 1998 (bastante teórico, mas muito instigante). Nele, Wenger defende a idéia de que “learning is, thus, not seen as the acquisition of knowledge by individuals so much as a process of social participation (http://bit.ly/ajt6)”.

        Nesse processo, mais relevante que a troca de conhecimento é a construção de relações e de repertório compartilhado. O indivíduo (nó da rede) e o conhecimento que tem (produto de troca) saem do primeiro plano; entram em cena os conceitos e experiências comuns (contexto e resultado das trocas) e as relações entre os individuos (ligações da rede).

        Vamos discutindo, o assunto é interessante!

  2. Adorei o blog citado. Não conhecia.

    Sobre o tema eu acho curioso que algo tão intuitivo seja objeto de estudo.

    Quanto visitamos um blog para comentar, quando participamos de um grupo de discussão ou fórum, o que estamos fazendo além de compartilhar nosso capital de conhecimento em uma rede social? Por isso acho muito engraçado nomear algo tão natural com esta sigla assustadora: PKM! Hahhha!

    Agora sobre redes sociais, desde a reunião da semana passada em que nos encontramos coincidentemente a tarde, fiquei com uma dúvida em mente: quais são os limites da mídia social? Quando uma solução é apenas um software e quando é uma mídia para uma rede social? Uma necessidade de leilão reverso de fornecedores, por exemplo, é algo que pode sofrer uma abordagem social? Como ser categorizado como um projeto social? É uma ferramenta de negócio mas também é uma rede social, uma ferramenta social. Interage com stakeholders. Qual o limite entre os conceitos?

    Qual a sua opinião?

    Abs

    Raquel Marques

    • Oi, Raquel!

      Vou começar defendendo a honra da PKM🙂

      Acredito que a grande maioria dos profissionais não faz a gestão de seu conhecimento pessoal – aquele conjunto que competências que garante sua empregabilidade. Assim, fazer PKM seria equivalente a fazer uma gestão estratégica pessoal. Esse cuidado pode ser considerado parte do que há alguns anos essa era chamado de “planejamento individual de carreira”.

      (Peço desculpas pelo uso intercambiado de “conhecimento” e de “competências”. Fiz isso para evitar a repetição do termo “conhecimento” – e podemos considerar que “competência” é o mesmo que “conhecimento em ação” ou “conhecimento acionável”.)

      PKM também pode ter o sentido de “esforço organizacional para promoção da gestão do conhecimento por seus colaboradores”. Ou algo assim.

      Entendo que a colaboração em redes sociais pode ocorrer sem a gestão individual do conhecimento. O risco, nesse caso, seria a futura perda da utilidade do indivíduo para a rede em que está inserido – por falta de gestão de suas próprias competências.

      Que tal?

      Quanto aos limites da mídia social, lembro-me que em nossa reunião você mencionou algo como “devemos deixar as redes agirem”. Algo como… tentar planejar menos, e deixar acontecer mais.

      Mas com meu jeito organizador que você já conhece eu diria o seguinte: ferramentas surgem para atender a necessidades específicas – gerenciar projetos, fazer leilão, promover discussões ou, eventualmente, conectar membros de redes sociais.

      Em paralelo a isso, as necessidades de interação das redes sociais surgem espontaneamente de suas atividades e acabam encontrando apoio nas ferramentas criadas para outros fins. (Esta frase serve para qualquer entidade, bastando substituir nela o termo “interação das redes sociais” por outra.)

      Assim, qualquer ferramenta é potencialmente uma ferramenta para as redes sociais.

      Que tal, mais uma vez?

      Um abraço.

      MY

      • Hum, GC é um assunto por onde eu não devo me aventurar. Não tenho lastro nenhum para discutir. PKM como preocupação corporativa ainda me parece estranha. Como preocupação pessoal, intuitiva.

        Sobre as redes sociais, eu precisaria recuperar o contexto onde eu disse “devemos deixar as redes agirem”. No sentido de que não é possível planejar de antemão o desenrolar da história eu realmente concordo. Mas sobre a ausência de um líder, moderador, fomentador para manter a rede eu não acredito. Neste sentido acho que não devemos deixar as redes livres demais não porque elas morrem sem alguém que intencionalmente ou não, se sinta responsável por ela.

        “Qualquer ferramenta é potencialmente uma ferramenta para as redes sociais.” Sim, é simples e talvez seja isso mesmo. Ser social não é uma finalidade, mas uma consequencia da necessidade. Mas fico confusa neste mundo novo sobre quando um projeto nasce sobre o guarda-chuva dos projetos “sociais”. Ou será que isso não existe? Porque um simples leilão eletrônico, que surge sobre uma demanda de suprimentos com o apoio da T.I., pode ser que a partir de agora exija o envolvimento de comunicação e marketing, para garantir um alinhamento estratégico integral destes importantes stakeholders: os fornecedores.

        O mundo está ficando cada vez mais complicado talvez…

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