Gestão de Sorte – que tal?

Ao longo da vida deste blog tenho horas e outras abordado temas de estudo que tangenciam a gestão do conhecimento. São os casos de gestão de relacionamento, gestão de confiança e gestão de fatores de influência.

Tenho feito isso porque algumas dessas propostas podem ser de utilidade em projetos de implementação da GC. Para promover mudanças na cultura da empresa, para estimular a colaboração, para propagar exemplos de comportamento, etc.

Em uma atividade em sala de aula nesta semana (na pós-graduação em GC&Inovação) elencávamos as características necessárias para se implantar a gestão do conhecimento no contexto de alta complexidade em que as organizações estão inseridas.

Ao lado de características como flexibilidade, relacionamentos, visão, confiança e outras, surgiu a variável sorte. Para ter sucesso em empreitadas em um mundo complexo, é preciso ter sorte.

A idéia a princípio é desconfortável, pois leva ao campo do acaso o sucesso ou insucesso em meio a tantos esforços planejados. Mas rapidamente fizemos um upgrade nessa proposta.

E se considerarmos a velha definição de que sorte é o encontro do preparo com a oportunidade?

Preparo, certamente, é algo que está em nossas mãos. Depende essencialmente de nós (ou de nossas empresas) nos prepararmos para a atuação nos cenários que almejamos. Isso depende, é claro, de uma visão clara de quais são esses cenários e seus requisitos.

Oportunidade, por outro lado, não depende exatamente de nós – mas podemos nos posicionar proativamente em situações (locais físicos, círculos de relacionamento) onde as oportunidades têm maior probabilidade de surgimento.

Preparo e oportunidade são, assim, gerenciáveis. Podemos gerenciar nossa sorte.

Haveria espaço para umChief Luck Office nas empresas? Gestão de competências é apenas metade da equação. Inteligência Competitiva é a outra metade.

Ok, ok, isso certamente é algo que alguém já faz nas empresas, talvez sem uma denominação específica. Mas o exercício valeu pela diversão. Agradeço aos meus colegas alunos por essa oportunidade.

7 pensamentos sobre “Gestão de Sorte – que tal?

  1. Bom post.
    Porque o acaso seria desconfortável? Se há tantos esforços planejados o nivel do acaso acontecer tende a diminuir. Será que esse planejamento somente prevê uma rota para atingir seu objetivo? Quem disse que a melhor distância entre saída e chegada é a reta?
    Não seria mais governança, não? Esse Chief Luck Officer, além de Feng Shui, deveria estar a par da estratégia organizacional e de todo o resto que influencia -de uma forma ou outra- o ambiente em que a organização se encontra. Um “consegliere” mais do que um executivo propriamente dito. A ele se virariam todos quando o “acaso” acontecer.
    Um exemplo?
    Uma vez perguntei a um amigo que trabalha com automatização industrial numa empresa multinacional, qual era o plano de contingência se houvesse um “acaso” natural na empresa. Me lembro que naquela época chovia a cántaros em várias partes do país e, lógico, houve os desastres de todos os anos. A pergunta causou mais reflexos do que esperava de um comentário en pessant. Mas, alguem começou a pensar no assunto.
    Provavelmente beira o ridículo e esse Chief Luck Officer seria um dos motivos de piadas da empresa. Igual que os extintores de incêndio. Não servem para nada, são um estorvo.
    Até o momento em que precisam ser usados.
    Gostei do seu post. Poderiamos ficar falando sobre ele um tempão.

    Abraços

  2. Obrigado pelo feedback, Lionel.
    Me fez lembrar que nao devemos frear a publicacao de propostas incomuns, que podem se tornar o ponto de partida para a inovacao.
    Fico realmente grato. Foi um grande estimulo.
    Um abraco.
    MY

  3. Isto tudo posto, parece que se resume a gestão de riscos. Riscos positivos. Em meus treinamentos é incrível como as pessoas somente se referem a riscos como eventos negativos, nunca como oportunidades possíveis mas não certas.

    • Tem razão, Raquel. Sorte é como “risco positivo”. Exceto pelo fato de que você provavelmente procurará por sorte, mas não necessariamente costuma procurar por riscos (mesmo os positivos).
      Ótimo insight. E rápido🙂

  4. Oi, Marcelo e Raquel:
    Hoje no meio de uma faxina nos meus documentos encontrei este texto que escreví:

    Sim, Raquel!
    Mas, o que percebi no post do Marcelo foi uma alternativa, uma possibilidade de proposta bem mais ampla do que a do simples gestor de risco. Por isso, ousei brincar com o Feng Shui como uma das habilidades inerentes ao posto de Chief Luck Officer. (CLO, por íntimos.)
    Este gestor assume/assumiria uma visão bem mais abrangente do que um ou outro (ou mesmo vários) projetos em andamento na empresa. Uma visão holística da empresa no seu meio-ambiente e deste no meio-ambiente onde ele próprio está inserido. E como todas estas relações influenciariam o resultado (agora sim) deste ou daquele projeto da empresa. E, ainda mais, como estes resultados poderiam influenciar futuros projetos ou desdobramentos de projetos já executados ou em execução. Se seria mais fácil ou conveniente a inovação incremental ou uma linha completamente nova e diferente de produtos?
    Quanto mais informação -correta- tivermos, melhores serão nossas escolhas futuras e prováveis resultados.
    Particularmente acho, e posso estar errado, que a visão do gestor de risco é muito de dentro para fora e biased por um monte de regras. O projeto precisa, e se faltar isso ou sobrar aquilo outro. Tempo, recursos e custos.
    A visão do CLO seria algo mais ou menos: “Está havendo problemas climáticos na China. Provavelmente haverá um desvio de fluxo para a recuperação econômica das áreas atingidas. Haverá uma redução de compras de minerio de ferro (lembre que é um exemplo) durante X mêses. Isso significa redução de fluxo para fora por (Y-n) mêses. Serão afetados tais e tais mercados, que afetarão tais outros em tanto por tanto tempo. O mercado do projeto 1 será afetado pro/contra. Nós seremos afetados por tais e tais…”
    De fora para dentro. Lembrando muito uma gestão de meio-ambiente.
    E ainda mais, o CLO acredito, dificilmente seria uma pessoa só. Ela teria que pensar com um caleidoscópio de informações como somente um grupo heterogêneo de profissionais poderia fazer. Algo muito parecido com os antigos Think Tanks.
    Deve haver muitos pontos onde a visão do gestor de riscos seja a mesma da proposta do Marcelo. Mas acho que ainda falamos de duas entidades com modelos mentais completamente diferentes.
    Uma proposta interessante contudo.

    • Oi, Lionel. Que bom que você retomou este bate-papo.
      Tenho estado envolvido com o tema “inteligência de mercado” há alguns meses e me parece que é disso que estamos falando (ou de outros nomes alternativos para a atividade de observação dos movimentos do mercado para detecção de sinais antecipatórios de alguma coisa relevante.)
      Então, veja só: temos muitos CLOs no mercado!
      Seria muito simpático se assumissem explicitamente sua função: gestores da sorte🙂
      Um abraço!

      • Marcelo, ouso dizer que nem só os movimentos do mercado. Às vezes coisas que, à primeira vista, parecem não ter relação nenhuma com o assunto em questão.
        Seria simpático sim, porém (sempre tem um porém…) a mais da vezes, é terrivelmente frustrante ser a Cassandra de qq organização.
        Abraços!

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