Gestão do Conhecimento em Micro e Pequenas Empresas

Ah, que saudades de escrever um post decente. Essa conveniência de trocar a redação de posts pelo compartilhamento de leituras no Twitter anula muita da ajuda que um profissional bem-intencionado pode oferecer ao compartilhar algo. 

Escrever um post de verdade é muito mais rico, porque agrega ao artigo original uma análise crítica. O compartilhamento via Twitter apenas indica uma leitura de outrem – acompanhada de um lacônico “olha lá que legal”.

GC em Micro e Pequenas Empresas

O tema não é tão frequente quanto podemos pensar, mas tem sido possível ler semestralmente algum novo livro, artigo, estudo de caso ou discussão em fórum a respeito da gestão do conhecimento para pequenas e médias empresas.

Essas publicações tem sempre me incomodado por algum motivo que eu nunca pude identificar. Mas me dediquei a dissecar esse incômodo nos últimos dias e cheguei a alguma conclusão.

Me parece que o que há de errado com a abordagem tradicional do tema é que os artigos tendem a se pronunciar a respeito do que o pequeno e médio empresário pode fazer, e não sobre o que ele deve fazer no que se refere à GC. 

Uma pequena empresa pode montar um portal para compartilhar informações, pode construir uma base de conhecimento, pode praticar inteligência competitiva para conhecer o seu mercado, pode capacitar as pessoas à distância, pode desenvolver redes sociais, e sugestões do gênero.

Gostaria de expor minha opinião pessoal no momento sobre o que o pequeno empresário deve fazer. Veja bem, não estou me apoiando em uma pesquisa de mercado qualitativa/quantitativa ampla, mas sim na minha percepção pessoal sobre as características dessas empresas, com base em experiências pessoais e alguma literatura.

Micro e pequenas empresas (e aqui não me arrisco ainda a incluir as médias empresas, que podem ter um panorama suficientemente diferente para merecerem recomendações diferentes) tipicamente são constituídas por equipes pequenas numa luta diária para a sobrevivência com a expectativa de evolução assim que possível. Orçamentos apertados e tensão próximo do fechamento mensal são comuns.

Eu diria que nesse contexto são dois os problemas da micro e pequena empresa no âmbito da gestão do conhecimento: a falta de redundância e o gap de competências corporativas.

A falta de redundância

Equipes enxutas tipicamente significam que cada pessoa é essencial: seu trabalho é crítico para que algum processo aconteça na empresa, e dificilmente há alguém pronto para fazer o mesmo trabalho de imediato em seu lugar.

Do ponto de vista da gestão do conhecimento (lembrando que sempre estamos nos referindo ao conhecimento corporativo, ou seja, aquilo que a empresa sabe fazer, não o que o indivíduo sabe fazer), esse é um grande risco de descontinuidade. 

A falta de redundância – ou seja, recursos duplicados para a mesma função – põe em risco a continuidade das atividades da empresa em caso de ausência, ou por outro lado impede o crescimento da empresa em momentos de pico por falta de capacidade produtiva.

O pequeno empresário, portanto, deveria se preocupar em garantir que toda e qualquer função relevante na empresa tenha um executante principal e um substituto preparado para esse fim. Rotação de funções, por exemplo ou a documentação de processos (roteiros e dicas, em formato textual, e não a perda de tempo desenhando processos em forma de fluxograma) para tornar mais fácil a absorção emergencial por terceiros são bons exemplos de medidas preventivas de GC neste caso.

O gap de competências corporativas

O dia-a-dia é uma luta pela sobrevivência e há muito por fazer. Algumas coisas ficam para depois – e quando esse momento chegar, é importante que o pequeno empresário saiba o que deve fazer.

Em termos de gestão do conhecimento (o conhecimento corporativo, como disse acima) é preciso que o empresário reconheça o que sua empresa ainda não teve tempo de aprender a fazer, mas que deveria. 

Planejamento estratégico? Formação de preços? Marketing? Pesquisas de mercado? Gestão de pessoas? Certificação do sistema de Qualidade? Informatização?

Meu conselho: conheça o que as empresas que estão um passo à frente de sua empresa já sabem fazer. Descubra as competências corporativas que sua empresa ainda não possui mas que são essenciais para o seu futuro. E lembre-se de que competências corporativas não exigem apenas conhecimento na forma de pessoas, mas também na forma de processos, ferramentas e cultura.

Ressalvas finais

Como costumo dizer aos meus amigos: isso é o que me ocorre no momento – mas posso estar errado. Mas sempre será um prazer utilizar essas ideias como ponto de partida para uma boa discussão.

Um abraço a todos.

4 pensamentos sobre “Gestão do Conhecimento em Micro e Pequenas Empresas

  1. Bom dia Marcelo. Trabalho em Pequena Empresa e devo dizer que achei perfeita a colocação do termo redundância. Aqui em nossa organização, antigamente algumas tarefas eram extremamente centralizadas e em função da busca de uma excelência, em querer fazer sempre o melhor, o termo redundância se torna quase um palavrão! Redundância da um caráter de retrabalho, repetição e perca de produtividade, mas quando colocada desta forma se cria todo um significado novo a ela e o sentido fica perfeito! Por fim, até cheguei a imaginar que, na vida, algumas coisas devem ser redundantes mesmo, temos que rever e compartilhar, caso contrario, ela será perdida.

    • Olá, Diogo, agradeço pela visita e pelo feedback. O termo “redundância” ainda soa como palavrão para muitos gestores. A expressão “isso é redundante” tem sido aplicada com o intuito de dizer “isso está sendo feito em duplicidade, é um desperdício”.
      Seria aceitável se o gestor decidisse eliminar as redundâncias consciente dos riscos de futura indisponibilidade das competências (ou recursos) em questão, mas entendo que o fazem por acreditar que é preciso fazer mais com menos.
      Os autores Nonaka e Takeuchi (da área de gestão do conhecimento) ainda falam da importância da redundância para que a inovação ocorra.
      Um abraço!

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