Um certo descrédito sobre a GC no ar

Percebo há alguns meses um certo descrédito na gestão do conhecimento. Ou melhor, uma perda da empolgação que existia até o momento.

Menor quantidade de artigos em publicações de grande circulação, menor quantidade de cases em revistas de negócios, menor quantidade de eventos sobre o assunto.

Estudos e artigos continuam sendo produzidos e reunidos em websites e instituições acadêmicas, ao que me parece, mas o interesse corporativo sobre o assunto parece ter diminuído.

Há já quem diga que a gestão do conhecimento foi um modismo. Ou que evoluiu para a “sociedade da colaboração”, para a “inteligência coletiva”, ou outros termos concorrentes.

Pessoalmente acredito na gestão do conhecimento. Acredito que o conhecimento é diferencial competitivo e mesmo recurso para subsistência. Acredito que “inteligência coletiva” é mais um objeto a ser estudado pela gestão do conhecimento – que como qualquer ciência, precisa acompanhar a evolução.

Assim, creio também que a gestão do conhecimento está sendo vítima da falta de objetividade de seus mentores. (Todos nós que estudamos o assunto, cá entre nós.)

Precisamos falar menos sobre os benefícios teóricos da gestão do conhecimento e apresentar mais números.

Que números ? Números para convencer nossos executivos. É preciso ponderar a respeito, mas alguns exemplos que me ocorrem seriam cases de sucesso sobre como a gestão do conhecimento permitiu…

  • … sobreviver a uma taxa alta de rotatividade em um evento pontual, causada por uma mudança na economia ou no mercado;
  • … aumentar a quantidade de novos produtos após sua implementação;
  • … ampliar rapidamente o volume de produção em um caso de explosão de demanda; ou
  • … multiplicar a quantidade de melhorias de processos.

Não sei ainda se estes são os melhores exemplos de resultados a apresentar, mas me parece que as revistas de negócios estão precisando destas conclusões objetivas.

Voltarei a me dedicar a este assunto em breve.

2 pensamentos sobre “Um certo descrédito sobre a GC no ar

  1. Marcelo, como profissional de marketing que sou (na origem), vejo que as idéias envoltas na proposta de gestão do conhecimento estão mesmo precisando buscar outras vias para se fazerem presentes. Na minha vida de consultor, vejo mais gente torcendo o nariz do que abraçando a idéia de que GC possa ser algo factível e prática – note que não é a minha opinião (sou, inclusive, membro da SBGC), mas sim uma constatação.

    De certa forma, parece que a GC nasceu à frente do seu tempo – e, por isso, é uma eterna incompreendida. No Brasil, em particular, o tema entrou pouco na pauta dos empresários e acabou ficando com o rótulo de “teoria acadêmica” (com a pior acepção que você possa imaginar).

    Um bom exemplo de oportunidade de retomada sob outro guarda-chuva é o hype do momento: “colaboração”. Fala-se muito dela, como se fosse possível pensar nela sem a contrapartida de gestão de conteúdo e como se a idéia em si fosse uma grande novidade. Mas, ainda assim, creio que temos que pegar carona nessa onda, até mesmo para mostrar o que a GC tem a oferecer como massa crítica acumulada acerca deste tema. Davenport vem debatendo com o criador da expressão “Enterprise 2.0” se ela não estaria travestida de “uma nova GC”.

    De fato, tenho visto relatos de uma retomada do interesse em GC a partir do “advento” da web 2.0/Enterprise 2.0, na medida em que ainda permanece uma supervalorização dos aspectos tecnológicos (sem dúvida importantes, mas não são tudo). Não é pouco.

    Não tenho dúvidas do quanto a GC é importante neste novo cenário econômico – mas talvez, para aplicá-la, tenhamos que abordá-la de uma outra forma, em especial no meio empresarial. O que acha?

  2. Estou acompanhando e achando suer interessante as colocações de vcs Marcelo e Ricardo. Adoro questionamentos.

    Gostaria de reforçar que a gestao de conteúdo tb não é suficientemente valorizada quando se fala de TI. Na minha opinião, este é o maior problema. Ainda não olham para a Gestao de Conteúdo como deveriam, como a essencia de tudo!!!!

    Quanto ao assunto NÚMEROS não tenho a menor dúvida que é onde se está perdendo espaço. Qual o impacto sobre o resultado é o que eles querem “OUVIR” mas…em números e poucos sabem mostrar.

    Concordo que “Colaboração” diz realmente mais pois sugere SOMA de competências e isso pode trazer resultados rápidos, agilidade de resposta.

    O que Vcs acham? Eu queri apenas colocar mais fogo na fogueira pois vcs estão certíssimos em criar esses debates para ir além.

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